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Pai e filho serão adversários na maior competição do voleibol nacional


Publicado em: 17/08/2020 10:26
Manoel e Henrique confraternizam após um confronto entre pai e filho (Créditos: Arquivo pessoal/Henrique Honorato)

A dedicação de uma família a uma modalidade não chega a ser novidade. No caso dos Honorato com o voleibol, a paixão compartilhada entre pai e filho é também motivo de rivalidade dentro de quadra. Quando a próxima Superliga Banco do Brasil masculina começar os laços entre Manoel Honorato, técnico do Azulim/Gabarito/Uberlândia (MG), e o ponteiro Henrique Honorato, do Minas Tênis Clube (MG), ficarão restritos ao lado de fora de quadra.

Os paraibanos radicados em Uberlândia (MG) há 20 anos têm o voleibol atrelado à vida deles desde cedo. O pai Manoel saiu de Campina Grande (PB) e se tornou treinador de um projeto da modalidade na cidade do triângulo mineiro. Seguindo os passos paternos, Henrique logo passou a frequentar as quadras, primeiro como espectador, depois, já iniciando a carreira de atleta. E foi sob a tutela do patriarca da família Honorato que Henrique se desenvolveu jogando no time de Uberlândia até chegar a defender a seleção brasileira e o Minas Tênis Clube em quatro edições da Superliga.

“Meu pai foi e ainda é muito importante para mim. Quando eu jogava com ele eu lembro que após os treinos, no caminho para casa, eu sempre perguntava a opinião dele sobre a minha performance, o que eu poderia ter feito melhor. Eu gostava de ouvir as considerações dele. Atualmente ele também me dá alguns toques, mas mais sobre como lidar em algumas situações em treinamentos e jogos, administrar momentos difíceis”, contou o ponteiro.

Depois de abrir caminho na elite do voleibol brasileiro, Henrique viu o sonho do pai se realizar após o encerramento da Superliga B 2020. Classificado em segundo na primeira fase da competição, o Azulim/Gabarito/Uberlândia garantiu vaga na primeira divisão depois que a pandemia da COVID-19 encerrou a disputa de forma antecipada. Para o jovem jogador do Minas, a conquista pessoal do pai o deixou muito emocionado.

“Eu fiquei muito feliz, pois esse é um sonho que o meu pai sempre dividiu comigo dentro de casa. Eu sei como foi difícil essa conquista dentro de quadra, e, no lado de fora também há um esforço muito grande também, mas o importante é a realização deste grande sonho”, disse.

Para a estreia entre as maiores equipes do país, Manoel Honorato espera fazer uma boa temporada, e quer mostrar a força que o time, que começou como um projeto social, desenvolveu ao longo de duas décadas.

“A nossa expectativa está muito boa porque a gente já tem esse projeto há 21 anos, e tivemos um crescimento ao longo dos anos, participamos de Jogos Universitários, Jogos Abertos de Minas Gerais, jogos escolares com a nossa base, Superliga C, Superliga B, e agora na principal competição. Nós teremos a oportunidade de mostrar que um projeto que começou de um social, pode chegar sim ao alto rendimento, com muita lisura e transparência”, explicou o treinador.

A maior expectativa agora, de ambos os lados, é pelo confronto direto em família. Por enquanto, a retrospectiva é favorável ao filho Henrique, que conta três vitórias em três jogos – todos pelo campeonato mineiro, um pelo sub-21 e dois pelo adulto. Os dois encaram o confronto de forma natural, mas confessam que há muita rivalidade.

“Enfrentar o Henrique é normal. Já passamos por isso outras vezes. Ele é profissional e eu também sou, então cada um tenta fazer melhor o seu papel. Eu fico tranquilo, a gente se fala no início e no final”, comentou Manoel. E a afirmação do pai é corroborada pelo filho.

“Eu sempre fico muito feliz de jogar contra ele, fico eufórico até.  Cheio de energia para jogar bem. Sei que ele vai tentar ganhar e procurar sempre meus pontos fracos, mas até hoje eu nunca perdi para ele (risos)”, respondeu Henrique.

Na preparação para a próxima temporada o reencontro dentro de quadra dos membros do clã Honorato já é aguardado por ambos os lados. E a previsão dos dois é a mesma: equilíbrio.

“Cada confronto vai ter sua peculiaridade. Já estamos observando o elenco de cada equipe. O nosso elenco, por exemplo, está até acima do que eu esperava. O maior desafio agora é saber qual conjunto e quais peças irão engrenar. Acredito que serão dois duelos muito parelhos, é o que a gente espera”, analisou o treinador do Azulim/Gabarito/Uberlândia.

Para Henrique, o que ficará será a emoção de poder jogar diante da família e amigos na cidade em que cresceu.

“Acho que teremos jogos muito bons, com os ânimos à flor da pele. Quero ganhar mais jogos dele e ter um bom desempenho. Já estou bastante ansioso para os jogos começarem, e, especialmente, para este confronto contra ele. Quando o jogo for lá em Uberlândia eu espero poder encontrar a minha família e amigos no ginásio. Acredito que será muito especial, um verdadeiro mix de emoções”, concluiu.

A temporada 2020/2021 da Superliga Banco do Brasil masculina está prevista para começar em novembro. A competição contará com a participação de 12 equipes. Além do Azulim/Gabarito/Uberlândia e do Minas Tênis Clube, estarão na disputa Apan/Eleva/Blumenau (SC), Vôlei UM Itapetininga (SP), Montes Claros América Vôlei (MG), Caramuru Vôlei (PR), Sada Cruzeiro (MG), EMS Taubaté Funvic (SP), Sesi-SP, Vedacit Vôlei Guarulhos (SP), Pacaembu Ribeirão (SP) e Vôlei Renata (SP).

O Banco do Brasil é o patrocinador oficial do voleibol brasileiro